Hoje lembrei-me.
Houve um momento de pausa,
sentei-me numa espécie de banco
e a conversa continuava.
Falava-se de sei-lá-o-quê, na verdade.
Depois fugi.
Lembrei-me que te dava o lanche a horas especificas.
Parava o que estava a fazer,
cortava um bocadinho de pão,
metia uma fatia de queijo
e pegava num iogurte magro.
Dizia: "Vó, vá, vamos lanchar."
"Então e tu, não comes? Também devias de comer."
"Eu já comi" ou "Então não está aqui a ver o meu pão?"
"Ah já comes-te?" ou "Ah tá bem! (sorriso)"
Gostava de te ver comer. Era mutuo.
Comer sem dentes sempre foi
uma especialidade tua.
Fazias uma cara engraçada.
Hoje lembrei-me.
Hoje lembrei-me deste ritual.
Cheguei também a uma conclusão:
Não sei o que valho longe das pessoas que gostam de mim e eu delas.
Como se elas me fizessem Ser.
E isso é muito importante.
Ás vezes esquecemos as coisas importantes.
Mesmo que esta me "desenhe" como uma pessoa
que precisa dos outros para Ser.
No fundo não me importo.

(Guarda-rios. Um dos meus animais preferidos)